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  • Clay Gonçalves

Finanças pessoais e sobrevivência na selva: qualquer semelhança é mera coincidência

Imagine-se em uma situação de sobrevivência. Digamos que isso aconteça em uma selva. Você foi colocado à prova para, ao final desta situação, ser contemplado com um prêmio. Porém, caso você não consiga avançar nas etapas do desafio, você não terá nem o prêmio, nem a vida... Em uma condição como essa, você quer ganhar o prêmio e mais ainda a vida de volta.



Então você é “solto na selva”, felizmente você não precisa caçar, pois recebeu uma carga de suprimentos que permitirão sua sobrevivência até o final do desafio. Entretanto... o final é desconhecido, só acaba quando termina, literalmente. A questão é que você não foi informado sobre qual é o evento que demarca o término dessa experiência, você só sabe que tem que sobreviver até lá, pode ser em dois dias, pode ser em dois meses. Fato é: você foi informado que todo o abastecimento que você recebeu dura até o final do desafio. Você só precisa usá-lo com parcimônia...


O que você faria pela sua vida em uma situação como essa?

Sem pestanejar, sua resposta já está formulada, economizaria tudo o que recebeu e consumiria pequeníssimas doses apenas nos momentos em que precisasse de energia para continuar o desafio.


A situação pode parecer extrema e utópica, mas se você fizer um paralelo com a sua vida financeira, vai perceber que por muitas vezes, em muitas situações, você age como se o dinheiro fosse um “suprimento” infinito, como se ele sempre fosse distribuído a você sem limites, e por isso você dá vazão a todos os seus desejos consumistas e queima todo o estoque antes do fim do jogo.


Essas duas situações, embora completamente opostas, em uma você raciona o recurso pois a sua vida depende disso, em outra você utiliza o recurso como se não houvesse amanhã, têm muito em comum.


Se você encarasse o dinheiro como um recurso limitado, que precisa ser racionado para durar o maior tempo possível e garantir a sua sobrevivência, o prêmio ao final seria uma vida com qualidade muito superior àquela que fica a cargo do acaso te proporcionar.


Já se você encara o dinheiro como um recurso que pode estar a sua disposição indefinidamente e por isso você pode fazer todas as suas vontades com ele, talvez você não saia vivo deste desafio. Ou, se vivo ficar, vai ter uma qualidade de vida futura muito aquém daquilo que deseja.


O dinheiro, assim como a sua nesse desafio na selva, é um recurso limitado que necessita de racionalidade para o racionamento. Com isso quero dizer que você não tem todo o dinheiro do mundo, embora o cartão de crédito e as ofertas de parcelamento de compras te façam acreditar que você tem, e por isso precisa fazer escolhe e priorizar necessidades.


Mais um fato para adicionarmos nesse raciocínio: hoje, se você está em uma fase de alta produção profissional, é o melhor momento para você não gastar todo o seu dinheiro, isso porque futuramente talvez você não tenha mais tanta disposição para produzir, e também porque talvez você queira aproveitar a vida, não?


E só existe uma maneira de se preparar para esse momento, é montando o famoso “pé de meia”.

Nosso querido e preguiçoso cérebro tem uma mania de não enxergar o futuro, ele prefere ser feliz hoje do que abrir mão dessa felicidade e esperar por muitos anos para que as descargas hormonais do prazer o tragam bem-estar. Ora... isso se parece com você? É, seu cérebro te controla...


Para que você consiga virar esse jogo, enganar seu cérebro, e oferecer um pouquinho de dinheiro para os desejos do presente e um pouquinho para o bem-estar do futuro, precisamos elucidar três conceitos das finanças pessoais:


Poupar – o conceito mais fácil de entender e mais difícil de aplicar. Se você, naquele desafio, recebe sua parcela de suprimentos no primeiro dia, certamente não irá utilizar absolutamente nada desta sacola, você vai reservar para o momento de maior necessidade. Ou seja, poupar é não utilizar parte de um recurso a sua disposição.

Guardar – esse é fácil, dispensa explicação. Mas tenha em mente que este é um conceito raso no mundo das finanças pessoais, pois apenas guardar o seu dinheiro não te garante muita coisa, o Real não se tornará uma moeda rara e valorizada como as moedas romanas... O nosso dinheiro se desvaloriza, perde poder de compra, por isso, só guardar é insuficiente.

Investir – esse anda na “boca do povo” e de fato é a melhor coisa que você pode fazer com o seu dinheiro poupado, ao invés de apenas guardar. Assim você consegue garantir, no mínimo, que aquele dinheiro do qual você abriu mão de utilizar no presente, gere a mesma capacidade de comprar coisas com o mesmo valor no futuro, ou seja, você preserva o poder de compra, ganha da inflação.


Racionalizar o uso do dinheiro é uma ação que exige transformação e suor, mão na massa. Embora pareça difícil, o pontapé inicial que te tira da inércia é a única parte que de fato dá trabalho, logo vira um hábito semelhante a cuidar de um jardim, pequenas momentos diários de dedicação que te trazem árvores com frutificações para muitos anos.

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