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  • Clay Gonçalves

"E se eu der o primeiro passo...?"

O resultado que buscamos a longo prazo é a soma de todas as pequenas ações que realizamos dia-a-dia durante todo o presente. Assumir que o futuro não está tão distante como imaginamos é o primeiro passo para garantir a sua dignidade quando ele bater a sua porta.


Certamente você já passou por algum momento na sua vida em que precisou fazer uma escolha difícil. Acredito que para uma parte importante dos jovens isso acontece naquela famosa época em que se trabalha, estuda, namora e tem amigos sedentos pela sua presença nos churrascos. Então, chega um momento em que você percebe que nada disso tem a qualidade adequada e, com alto impacto emocional, você precisa abrir mão de alguma coisa para focar suas energias naquelas que trarão um resultado mais consistente. Se você é uma pessoa que se preocupa com a sua carreira e com o seu futuro, certamente você vai conversar com os amigos para explicar que estará ausente por algum tempo dos churrascos e vai dizer para o namorado ou a namorada que ele ou ela precisará entender a sua ausência. Após o abalo emocional inevitável, você passará a obter mais qualidade nos seu estudos e maiores resultados no seu trabalho, o que, a longo prazo, trará benefícios que refletirão no seu relacionamento e no seu convívio com os amigos.

Se você nunca passou por uma situação similar a essa, vai passar, é inevitável. Em algum momento da sua vida você precisará escolher algo em detrimento de outro algo. Mas você já analisou meticulosamente como toma essas decisões? Veja bem, não estou perguntando se você analisa todas as suas decisões antes de bater o martelo, estou perguntando se você já analisou o seu processo de decisão. Por vezes esse processo é intuitivo, mas ainda assim ele passa pela etapa de prós e contras, malefícios e benefícios, e pelo famoso "o que ganho eu com isso?"

O ponto é: se existem momentos na vida em que precisamos fazer essas escolhas e passamos por um processo de reflexão das consequências, podemos experimentar esse mesmo processo de raciocínio e análise para pensar no futuro financeiro. Isso pode te trazer a dignidade que ninguém trará para você. Nem o governo, nem as ações de caridade e nem a sua família!

Fiz essa comparação por que, invariavelmente, você vai precisar abrir mão de uma parcela da sua renda no presente para construir a sua renda no futuro. É mais ou menos como quando você está de dieta e se permite comprar um chocolate, mas como você sabe que só poderá comer um (e apenas um) chocolate nas próximas semanas, você faz um esforço sobre-humano para que ele dure dias, em detrimento de minutos, o que seria a sua real vontade.

Bom, creio que você já entendeu que a vida é feita de escolhas e que uma situação futura deve ser construída com atitudes presentes. Transportando isso para o mundo das finanças, podemos refletir sobre como essas escolhas, com o auxílio do longo prazo, podem trazer um benefício imensurável para sua aposentadoria.

Pensar e construir a aposentadoria está muito mais relacionado a dignidade do que a esbanjar dinheiro. Muitas pessoas pensam na independência financeira como o momento da vida em que vão jogar dinheiro na plateia como o nosso ícone da TV, Silvio Santos. Resultado? Deixam para depois por que não se sentem capazes de chegar nos muitos milhões que acreditam que precisarão para poder fazer isso.


Por isso você precisa corrigir a sua visão de longo prazo.

Quando nós, apenas seres humanos que somos, olhamos para 30, 40 anos à frente, estamos sob o efeito de um viés cognitivo que nos leva a acreditar que lá na frente tudo vai ser melhor, distorcemos a realidade futura de modo que ficamos estáticos no presente. Isso nos impede de construir esse futuro por dois motivos: primeiro por que acreditamos que, tudo sendo melhor, não precisamos nos preocupar agora; e segundo por que temos certeza que até lá já teremos evoluído tanto profissionalmente, que o nosso salário irá quadruplicar. É uma projeção completamente destoante do presente, por isso não nos sentimos capazes de alcançá-la e o plano já nasce morto!

E qual seria a lente de correção para essa distorção futura?


Entenda a sua realidade e confie no longo prazo. Uma vez que você conhece o seu padrão de vida atual, projete a sua renda com base nesse padrão. Se hoje você vive com R$2000, por exemplo, projete o patrimônio necessário para viver com R$2000 no futuro. Ao passo que você muda sua realidade atual, faça novas projeções da sua vida futura. Isso vai te ajudar a deixar o seu plano sempre vivo e em constante atualização.

Então, imagine a seguinte situação: você tem 25 anos, uma renda de R$2000, aprende a viver com R$1800 e passa a poupar R$200 todos os meses. Resposta clássica: "Nossa, mas R$200 é muito pouco, nem vale a pena". Será? Em uma simulação com um dos investimentos mais simples e seguros do Brasil, o Tesouro IPCA 2045 (significa dizer que você resgatará o seu dinheiro em 25 anos), você teria acumulado R$143.532,69 e para isso teria investido um pouco menos da metade: R$59.800.

A partir daqui você pode divagar a vontade:

"E se a minha renda aumentar?"

"E se eu investir o meu bônus, décimo terceiro e outros extras?"

"E se eu aprender mais sobre investimentos e passar a investir em opções mais robustas?"

"E se eu estudar mais e crescer na carreira e com isso ganhar mais?"

"E se eu construir uma segunda fonte de renda?"

Viu? A vida não é estática e todos esses "e se" podem mudar a sua condição atual e remodelar o seu futuro.

Por último, e não menos importante, confie no longo prazo. A disciplina de reservar parte da sua renda para o futuro e a constância de investir essa quantia com sabedoria, podem te levar a uma vida mais digna. Não prometo que você vai fazer aviãozinho com suas notas de R$50, mas certamente você não precisará ir a programas de auditório para ganhar "um troco".

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